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Foto: Elvis Palma | A tradição da pesca artesanal (Molhes da Barra)

6 de outubro de 2013

09 - De Porto Alegre para Florianópolis: a chegada da televisão em Laguna

Inter programa da TV Tupi, anos 50. (Mário Fanucchi)
Deve ter sido duro ficar esperando horas e horas por uma imagem, geralmente só chuviscos, e muitas vezes aparecia o indiozinho da Tupi, ou no nosso caso Piratini... Ou ainda o casalzinho da Gaúcha. E agora, chamem seus leitores-vizinhos e venha saber como a televisão chegou a Laguna.
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Quando já encontrava-se em expansão pelo velho mundo e pelo continente norte-americano, a televisão que vivia tempos de modernização pós-guerra, dava sinais de entrada nas terras brasileiras. De experiências isoladas aqui, ali e acolá, é somente em 18 de setembro de 1950, é que o paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo (Chatô), dono do maior conglomerado de mídia a época, os Diários Associados, inaugura a TV Tupi em São Paulo, a primeira emissora de tevê brasileira.

Daí em diante estava dada a largada para a "corrida da televisão brasileira", quem sabe podemos chamar assim... Desde então muitos estados ganharam sua primeira estação ou uma concessão.

Televisão no Sul do Brasil

No ano de 1954, é fundada em Curitiba (PR) a Rádio e Televisão Paraná, que realiza no mesmo ano um show experimental de televisão. Um ano depois, o mesmo espetáculo é trazido para Florianópolis (SC), apresentado pela extinta Rádio Diário da Manhã (hoje CBN Diário) e alguns meses depois é levado para Porto Alegre (RS), com realização da Rádio Farroupilha. Todas as apresentações eram feitas com o cast e equipamentos da TV Tupi de São Paulo. No fim de 1959, os Diários Associados inauguram a TV Piratini em Porto Alegre, a primeira emissora do sul e nos fins de 1960, surgem a TV Paranaense e a TV Paraná em Curitiba.

Dez anos depois (1964), funda-se, por iniciativa de Darci Lopes, a Sociedade Pró-Desenvolvimento da Televisão em Florianópolis, que tinha o objetivo de trazer uma emissora para a capital catarinense, chegava precariamente na cidade os sinais da TV Paraná, dos Associados, o que incomodava ainda mais os florianopolitanos. Ainda naquele ano, Darci é procurado por Hilário Silvestre, um comerciante tubaronense, que queria trocar uns sacos de grãos por equipamentos de televisão.

Darci, viu a esperança correr em suas veias, e convenceu Hilário a juntar todos os documentos necessários e dar entrada no pedido de concorrência para um canal de televisão, mas antes ajudou o novo companheiro à montar clandestinamente a sua TV Florianópolis - Canal 11, que em pouco tempo deu seus "ecos" na capital, embora não conseguiu impedir sua lacração, que foi realizada em 09 de março de 1965.

O pedido foi acatado pelo Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel), e abriu caminho para a instalação de uma emissora de televisão na capital, mais isso é história que deve ser contada detalhadamente, só para registro, a concessão foi ganha pela Sociedade Pró-Desenvolvimento

Trazendo a TV:

Conforme já dito, a Sociedade tinha o objetivo de trazer sinais de televisão para a capital catarinense, seja ele "estrangeiro" ou local. No mesmo patamar havia ainda os Clubes de Televisão, de Criciúma, Tubarão e Siderópolis, com uma diferença... O pessoal do litoral já estava mais a frente.

Darci Lopes, sabendo que os líderes do Clubes estavam já em conversa com Sérgio Reis, diretor da TV Piratini de Porto Alegre, tenta fazer parceria com as entidades, que aceitam, a essa altura havia muito prestígio por parte das empresas estatais, do comércio, e da população, que não se custavam nada em ajudar, seja telefonando para avisar que a repetidora saiu do ar ou que o sinal estava bom. As ligações não eram cobradas.

Com as forças unidas, em Porto Alegre, um contrato é assinado com a TV Piratini que se comprometia em levar seu sinal por repetidoras até a cidade de Torres (RS), e daí em diante, seguiria-se uma rota até a capital catarinense, de responsabilidade dos Clubes e da Sociedade.

E em questão de mais ou menos um ano, a rota Torres - Florianópolis estava concluída.

A TV em Laguna

Há uma divergência entre as fontes pesquisadas, ao certo não há um ano exato que nos possa mostrar quando a caixa mágica chegou a Laguna, ou a outros locais.

A televisão chegou a Laguna no curto espaço entre 1964 e 1966. Há notas no extinto Tribuna Criciumense noticiando o fato em 64, e que, em 66, já estava em transmissão o telejornal Atualidades Catarinenses, produzido pela TV Piratini nos seus estúdios, com apresentação de Antunes Severo, que foi componente da TV Florianópolis.

E no meio dos anos citados, está uma lei assinada pelo então prefeito Pompílio Pereira Bento, onde previa (assim como em muitas cidades de Santa Catarina e pelo Brasil a fora) que a prefeitura municipal daria a completa manutenção à torre retransmissora de televisão no Morro da Glória.

Embora fosse deficiente, a retransmissão da TV Piratini, motivou a sua concorrente, TV Gaúcha a entrar em Santa Catarina, tendo esta por iniciativa própria assinado contrato em 1967 com a Sociedade Pró-Desenvolvimento para a repetição de seus sinais em solo catarinense, e a Laguna, ganhava uma opção no seletor de canais, podia assistir aos programas da Rede Excelsior, que foi trocada pela Rede Globo meses depois.

O sinal das emissoras gaúchas continuou até meados da década de 1970, quando da inauguração da TV Cultura e TV Coligadas. E o que vem a seguir, será tema em breve de mais uma história, da batalha em trazer os sinais de tevê para Laguna.

Os preços dos aparelhos televisivos era alto, acessível somente aos mais abastados que não se importavam de fazer uma sessão de tevê, chamando amigos, vizinhos e familiares para assistir, ou tentar, um ou outro programa.

Infelizmente pelos registros serem nulos, só isso é o que pode ser dito da televisão em Laguna.

Curiosidades:

  • Em Laguna, nas poucas casas com aparelho de televisão, surgia assim como em diversas localidades, a figura do tele-vizinho, quando aparecia uma imagem, era festa, parecia que o Brasil, tinha ganhado a copa.
  • Teve gente que esperou até a meia-noite para ver uma imagem, naquela época a televisão iniciava sua programação geralmente pela tarde e encerrava a meia-noite.
  • Ainda nos anos 60, foi montada uma loja na Laguna, a TV-Lar, especializada em consertos dos aparelhos televisivos.
Bônus: Institucional da TV Piratini de Porto Alegre em 1959, mostrando seu cast de atores, equipamentos e estúdios, envolvidos na gravação de "Marcelino, pão e vinho".


Estúdios da TV Piratini, quando da gravação de "Marcelino, pão e vinho", em 1959, imagens da Companhia Leopoldis Som.
(Acervo da Fundação Cultural Piratini de Rádio e Televisão - TVE Porto Alegre-/Extraído do Youtube)

Bibliografia 
Publicações
ALVES, VidaTV Tupi: uma linda história de amor. São Paulo: Imprensa Oficial, 2008.
MACHADO, Agilmar. TORRES, OsvaldoA história da comunicação no sul de Santa Catarina. Criciúma: BTC Comunicação, 2001.

Periódicos

MACHADO, César do Canto. Tubarão - Pioneirismo da TV em Santa CatarinaNotisul. Tubarão. 12 set 2011.SIMÕES, AldírioDarci Lopes: o "Homem da Televisão"A Notícia. Joinville. 03 abr. 2001.

Trabalhos Acadêmicos

KURTH, Estela Doris. A contribuição das afiliadas na formação das redes nacionais de televisão no Brasil: o caso da RBS / Rede Globo em Santa Catarina. Florianópolis: UFSC, 2006. Dissertação (mestrado em História) - Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina
MATTOS, Sérgio Ferreira de. TV Barriga Verde de Florianópolis: estudo de caso no período 1984/87. São Paulo: USP, 1992. Dissertação (mestrado em Ciência da Comunicação) - Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo.
SILVEIRA, Ariadne Niero daLARGER, Michele. A TV em Criciúma: História em Cultura. Tubarão: Unisul, 2001. Vídeo-Reportagem (Curso de Jornalismo e Comunicação Social) - Faculdade de Jornalismo, Unisul Campus Tubarão. 

Leis e ofícios

LAGUNA. Lei ordinária nº. 12, de 26 de julho de 1965.

Base Eletrônica

RÁDIO ELDORADO. Associação Coral homenageia Eldorado. Rádio Eldorado de Criciúma. Acesso em 05 out 2014. <disponível aqui>.
SEVERO, Antunes.  Rádio Diário da Manhã, faz demonstração de TV em Florianópolis. Caros Ouvintes. Acesso em 05 out. 2014. <disponível aqui>.
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Reescrita em 23 de dezembro de 2014

4 comentários:

  1. Obrigada por mais uma história, Luís.
    Apenas para a sessão nostalgia: lembro a época da TV em preto e branco, que para concorrer com os primeiros aparelhos que transmitiam em cores, ganhou uma "capa". Na verdade tratava-se de uma película colorida em três cores, no alto azul, no meio era magenta e embaixo era verde. Colocávamos essa película na tela da TV preto e branco (as vezes presa por fita adesiva) e tínhamos uma "TV colorida". O brasileiro sempre foi criativo!

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    1. Professora Andréa, obrigado pelo comentário, volte sempre, o blog está de portas abertas!

      Desculpe a demora em responder, achei até que já havia comentado, essa capa aí mostra como nós, brasileiros, damos um jeito em tudo né?

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    2. Lembro das primeiras televisões em Laguna. Como não podíamos adquirir um aparelho, íamos ver televisão no casa de vizinhos espiando pela janela. Lembro de da novela "Eu compro essa Mulher" e também "O Sheik de Agadir" com a atriz Ioná Magalhães e o Carlos Alberto. Quando eu e minhas irmãs íamos a missa, costumávamos ver o programa "Jovem Guarda", pelo vitrine de uma loja da cidade. Creio que isso foi entre 1964 a 1966, quando nos mudamos de lá. Apesar de todas as dificuldades pelas quais passávamos, esses tempos deixaram saudades.

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    3. Dona Yrenny, desculpa a demora em lhe responder. Fico feliz em ver que a sua memória guarda tantos detalhes, uma loja com televisão, seria uma que ficava ao lado do antigo prédio da Telefônica? Só imagino como deve ter sido assistir Roberto, Tremendão, Vanderleia, no início da carreira. Obrigado pela visita, volte sempre.

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